Animação gracinha sobre os efeitos da relação do homem com a natureza.
zulmy
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
O churrasco para a geladeira branca
Tenho pensado muito sobre
consumismo, fetiche sobre determinados eletrodomésticos e o significado disso
tudo. Na busca de textos sobre o assunto achei um artigo de
uma antropóloga (quem mais seria?rsrs) que analisa o significado do consumo da
"nova classe média" ultrapassando o valor do "ter" e
alcançando uma lógica de pertencimento, de saída da invisibilidade social. O
consumo significa até mesmo um ato de amor à família na medida em que são
feitos sacrifícios na busca de proporcionar maior conforto aos filhos, por
exemplo.
Vejam que fantástico esse relato
sobre um churrasco realizado para comemorar a compra da "geladeira
branca":
Recebi, no meio da semana, um
telefonema emocionado. A voz do outro lado, um tanto eufórica, falava de uma
grande "bênção" que merecia ser comemorada. Decidiu preparar um
"churrasquinho" no domingo seguinte para familiares e poucos amigos
selecionados – grupo no qual me incluía. Perguntei se deveria levar algo, minha
anfitriã respondeu que não. Tudo seria oferecido por ela – o que ocorre raras
vezes. Com isso, deixou bem claro que o acontecimento era realmente especial.
Cheguei, no dia e na hora
combinados, diante de uma casa simples, bem velha, pintada de cal branca,
portas e janelas de madeira desgastadas pelo tempo. No quintal da frente, um
pequeno espaço com piso de cimento rachado, cadeiras de plástico e uma caixa de
isopor dividiam o espaço com as plantas do jardim. A festa estava sendo
preparada.
No fundo do quintal, uma pia de
cozinha de alumínio, suspensa por pés de ferro, e uma grelha haviam se
transformado em churrasqueira. De longe se podia sentir o cheiro inebriante da
carne assando, sob os cuidados do churrasqueiro, irmão da anfitriã.Ela me
recebeu entusiasmada, um tanto esbaforida. "Não me beija que eu tô
suada", disse, enfática. Não me importei e a cumprimentei normalmente.
Logo apontaram a caixa de isopor no canto do quintal. Apresentado o caminho
para as bebidas, esperaram que eu me sentisse completamente à vontade.
A anfitriã começou a narrar a
história da tal benção recebida pelo seu irmão mais novo, motivo do evento: uma
moderníssima geladeira frost free. Eu e alguns outros fomos convidados a
adentrar a casa simples. "Não repare na casa não, ela é velha, e a única
coisa bonita é a minha nova geladeira branca na cozinha, é a única coisa que
presta", desculpou-se ela, de antemão.
Achei curiosa tanta ênfase à cor
branca da geladeira. Até o momento, eu nunca havia reparado nessa forma
descritiva de fazer referência a eletrodomésticos.Entramos e seguimos por um
pequeno corredor em direção à cozinha, que ficava logo após a sala. A anfitriã
apontou a geladeira, enorme, de alta tecnologia, com luzes azuis piscando e um
display digital na porta. Lamentou-se: "Agora, minha cozinha nem combina
com a geladeira nova. Ela é tão linda e minha cozinha, um horror." Abriu,
sem hesitação, a parte inferior da geladeira. Mostrou todos os recursos do novo
bem, riu de felicidade. Disse que parou para ler todo o manual porque não sabia
mexer em tanta "tecnologia de geladeira" com tantos compartimentos
diferentes para colocar os alimentos.
Estava realmente feliz porque a
geladeira era frost free. Sem precisar descongelar para limpeza, lhe pouparia
trabalho. Abriu cada gaveta, porta, apontou o termostato eletrônico, e se
emocionou. "Eu nunca imaginei que pudesse haver algo assim." Fomos apresentados
à geladeira e a tudo nela guardado. Reparei que o plástico de proteção ainda
estava nas alças externas nas portas, além do selo do Procel (indicando que era
uma geladeira que poupava energia elétrica) e uma nota fiscal da garantia da
loja. Perguntei por que ainda continuavam colados e logo veio a resposta,
simples: "É pra proteger mais e não estragar." Claro. Ela queria que
o novo item, o mais bonito e importante da casa, durasse muito e fosse
conservado ao máximo. Afinal de contas, era um bem valioso.
Não satisfeita, abriu a porta do
freezer e mostrou como o espaço interno era amplo. "Agora vou poder
receber visitas e dar festas, pois as bebidas vão gelar. Vou poder fazer pavê,
comprar sorvete, fazer gelo para o refrigerante. Agora, sim", comemorou.
O tamanho e a capacidade do novo
item adquirido, portanto, eram significativos para a sociabilidade dela, a
reciprocidade do servir e receber bem. A grande geladeira serviria sua família,
composta por um adulto – ela própria – e dois filhos, sendo uma criança e um
adolescente. Era notório que aquele novo eletrodoméstico, devido à sua grande
capacidade (entre outros fatores), seria um divisor de águas em seu cotidiano e
em sua prática social.
Voltamos para o quintal. Hora de
comer. As guarnições estavam servidas em potes plásticos em uma mesa
improvisada: uma tampa de madeira forrada com toalha florida, em cima de um
latão. A anfitriã se ocupou em nos servir, até que um novo grupo apareceu no
portão. Como precisava recebê-los devidamente, ela organizou mais um tour até a
cozinha. A história se repetiu algumas vezes até o fim da festa.
Quando vivenciei a situação
descrita acima, comecei a imaginar a importância que um eletrodoméstico
corriqueiro pode ter na vida de um grupo específico. O "objeto de desejo",
motivo da festa, era uma geladeira. Os argumentos favoráveis estavam
visivelmente expostos: pouparia energia elétrica (o selo do Procel), havia um
grande espaço interno suficiente para armazenar os alimentos (um valor para o
grupo) e melhorar a recepção aos convidados (a dádiva de Mauss, 2003). Em suma,
era moderna e traria conforto para aquela família.
A noção de conforto ligado à
posse de eletroeletrônicos estava clara naquela narrativa, além do
embelezamento e da modernização da casa, por meio desses mesmos objetos, como
se fossem dotados de mana (Mauss, 2003). Da mesma forma que minha anfitriã,
milhares – talvez milhões – de pessoas de camadas populares no Brasil possuem a
crença e percepção de mana em determinados objetos (em sua maioria, eletroeletrônicos).
A posse e o uso desses bens têm uma consequência que vai além do bem-estar,
estetização e sensação de conforto, é a percepção de um grupo, antes
marginalizado, sendo visto e valorizado como consumidores em potencial. Para
eles, o conforto é o passaporte para a entrada em um outro estrato social, com
mais prestígio e valor.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Árvores
Eu amo árvores. Moro em uma rua lotada
delas e com certeza isso foi decisivo para eu escolher morar onde estou. O amor
vem de família. Meu pai, apesar de achar que todas as árvores são castanheiras,
também adora árvores. Lembro que quando tinha uns 9 anos ele comprou 3 ipês, um
de cada cor e um pra cada filha. Plantou em frente de casa, mas o meu, que era
branco, não vingou. Snif.
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| Ipê em Brasília |
Tenho na minha
memória os lindos ipês e flamboyants de Brasília que deixam a cidade
encantadora mesmo na época da seca.
Aqui no Rio minhas
lembranças arvorísticas me remetem à centenária palmeira imperial do Jardim
Botânico, mas também às árvores que frequentemente não resistem aos temporais e
caem, causando bastantes acidentes...
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| Palmeiras imperiais do Jardim Botânico do Rio |
Na Suíça fiquei
conhecendo as amputadas, apelido dado pela minha irmã. Bem feinhas, coitadas.
Foi lá que conheci as lindas magnólias e a árvore dos sonhos (assim batizada por mim).
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| Lindas Magnólias- Zurique |
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| Amputadas de Adliswil- Suiça |
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| Árvore dos sonhos- Zurique |
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